sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Comunidade Solitária

Essa nossa geração tem sido marcada pelo individualismo e pela solidão. Cada vez mais pessoas desenvolvem um estilo de vida solitário, não obstante vivam em grandes metrópoles e estejam cercadas por uma grande multidão.

Não sei se você, caro leitor, já percebeu a enorme contradição que caracteriza a maioria dos condomínios residenciais, sejam estes compostos de casas ou de apartamentos. Parece que esta busca, mais que justificável, por segurança e por melhor aproveitamento dos espaços urbanos tem isolado cada vez mais as pessoas.

O primeiro fator que aponta para esse isolamento social é o próprio nome: “Condomínio Fechado”. Aliás, as pessoas têm se tornado cada vez mais fechadas em seus próprios mundos vivendo um “Big Brother” permanente, vigiando e sendo vigiadas vinte e quatro horas por dia pelas lentes incansáveis das câmeras de segurança.

Hoje em dia é muito raro você ver famílias sentadas na varanda ou na calçada de suas casas, com suas portas e janelas abertas proseando nas noites quentes de verão. É claro que em tempos de violência e de insegurança esta realidade tem se tornado cada vez mais escassa. O que é uma pena!

As pessoas estão dentro do mesmo muro, porém trancadas em seus próprios terrenos ou apartamentos. Quantas vezes no ano que passou você cruzou com seu vizinho e trocou com ele mais do que aquelas palavras, quase que obrigatórias, como “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”? As pessoas, normalmente, chegam e saem em seus automóveis (alguns deles blindados) com suas janelas fechadas e revestidas por películas que ocultam o interior do veículo.

Aliás, parece que as pessoas, hoje em dia, estão vivendo com essas películas usadas nos vidros dos automóveis. O máximo que se consegue enxergar do seu interior é o mínimo que se é permitido conhecer. O interessante é que esta realidade tem refletido muito no comportamento das pessoas, que cada vez menos se envolvem em relacionamentos profundos. A “ficação” é um evidente sintoma desta realidade.

As pessoas estão buscando intimidade, mas sem envolvimento. A contabilidade dos “ficantes” (número de bocas beijadas, não de pessoas) nas baladas da vida aponta para esta necessidade universal da humanidade. Afinal, “não é bom que o homem esteja só” (Gn 2:18).

Numa era de avanços incríveis das tecnologias de comunicação com celulares de terceira geração, notebooks e Internet as relações são cada vez menos presenciais e cada vez mais virtuais. Os chats ou salas de bate-papos virtuais são amplamente utilizados e os encontros pessoais, conseqüentemente, desprezados.

O homem está cada vez mais só, imerso numa multidão de solitários. Acredito que esta solidão existencial, além de ser reflexo do isolamento social, característico da pós-modernidade, é fundamentalmente também, resultado de um estado de alienação do homem em relação ao seu Criador. Segundo John Stott, o ser humano possui três aspirações fundamentais, que são: busca por transcendência, que aponta para a tentativa de encontrar a Deus; a busca por significado, que é a tentativa de encontrar a si mesmo; e a busca por comunhão ou comunidade, que é a tentativa de encontrar o próximo.

A realização dessa tríplice busca é o que pode tornar a vida mais plena e realizada. A partir de um relacionamento profundo com o Pai nós encontramos sentido pra nossa própria existência e entendemos que a mesma não pode ser desenvolvida isoladamente. A espiritualidade cristã não se desenvolve unilateralmente. O cristianismo bíblico se desenvolve em comunidade. Você faz parte de uma? Uma das características principais da comunidade cristã primitiva era que ela perseverava na comunhão. (Atos 2:42)

E você, tem perseverado em relacionamentos profundos? Tem lutado contra o individualismo dessa geração? Tem derrubado os muros da indiferença e do isolamento pessoal do seu coração? Tem destrancado as portas da sua alma e aberto as janelas para novos relacionamentos fraternos?
No amor do Pai,
Claudio Alvares

7 comentários:

Descobertas e sentimentos disse...

Eu me sinto só em todos os lugares até entre os irmãos em Cristo me sinto só alias ultimamente é onde me sinto mais só é na igreja .

roberto lopes disse...

Essa é uma triste realidade que vivemos , me lembro no tempo da minha infância onde minha mãe , meu Pai e amigos se reunião nas calçadas para jogar conversa fora ou assistir a uma partida de futebol , enquanto andavamos de bicicleta sem medo , com uma inocência daqueles que conheciam ainda a violência . Hoje nos trancamos em casa e deixamos os marginais soltos na rua .. é uma triste ironia .

claudia disse...

Caro Cláudio,

parabéns pelos textos, só hoje pude ler, são edificantes e encorajadores, que Deus continue te usando e te guarde de todo o mal.

Deus te abençoe!

Cláudia Lima

Jailson Freire disse...

Uma realidade que leva muitos a uma existência opaca e sem sentido, mas que na verdade, em se tratando de igreja, talvez seja necessário uma avaliação mais profunda, já que quem se isola, geralmente o faz como auto-defesa, a fim de se evitar uma reabertura nos ferimentos causados pela comunidade em que o indivíduo está inserido.

renatovargens disse...

vivemos a era da superficialidade. Nunca foi tão fácio comunicar-se com as pessoas, no entanto, tais facilidades, em vez de nos ajudar no desenvolvimento das nossas relações pessoais, nos coloca atrás de um front.

Muito bom texto...

Renato Vargens
www.renatovargens.com.br

cornelia disse...

eu estou só desde que nasci tenho uma filha mas sou muito sozinha as pessoas me magoaram muito pela vida a fora, as vezes acho que se esqueceram que somos humanos que precisamos viver em comunidade, conversar, sorrir e aproveitar este mundo lindo que Deus nos deu. Os textos que voce escreveu é o que muito de nos sentimos parabens .

cornelia disse...

eu estou só desde que nasci tenho uma filha mas sou muito sozinha as pessoas me magoaram muito pela vida a fora, as vezes acho que se esqueceram que somos humanos que precisamos viver em comunidade, conversar, sorrir e aproveitar este mundo lindo que Deus nos deu. Os textos que voce escreveu é o que muito de nos sentimos parabens .